Via “do Abandono“

por Marco Nalon , em abril de 2010

A via “do Abandono“  foi conquistada de baixo, com batedor, e na sua maior parte em solitário.

No primeiro dia avancei 40m em solitário e no fim do dia, o Jacaré (Pedro Zeneti) passou por lá e me deu segurança para bater a última chapeleta daquele trecho. Na segunda investida, junto com o Luiz, avancei mais 20m de onde havia parado, esticando toda a corda e batendo a primeira parada, que por sorte deu certinho em um bom platô.

 

batedor


O Luiz saiu conquistando a segunda enfiada avançou uns 25m com duas chapeletas, mas uns 5m acima da segunda, um bloco de pedra literalmente descolou o que resultou em uma queda de uns 15m. Devido à inclinação levemente positiva da rocha ele machucou bastante as costas, ombros e cotovelos, e graças ao capacete só ficou com um galo na cabeça. Descemos e voltamos direto para São Paulo para fazer exames médicos, que felizmente não revelaram nada de mais grave a não ser os ferimentos superficiais e uma dor muscular que vai demorar um pouco para sumir de vez.

Marco_Luiz

Marco e Luiz

Algumas semanas depois voltei sozinho para continuar a conquista e deu para ver a marca do bloco que descolou da rocha, com uns 50 cm de comprimento. Avancei até completar a segunda enfiada, também com 60m e mais uma vez terminando em um bom platô. Desci para pegar água com o Rodrigo e a Raissa que estavam escalando por ali. Acidentalmente deixei cair a chave de boca e eles não conseguiram encontrar.

Luiz_conquista_2enfiada

Luiz conquistando a segunda enfiada

Decidi voltar e terminar a via, pois julguei que no final a rocha ficaria mais positiva, próxima ao costão, e provavelmente não seria necessária nenhuma proteção fixa, e poderia descer pela via Zênite ao lado direito. Bem, cheguei a um grande buraco com vegetação, onde foi possível colocar um camalot precário em uma fenda horizontal barrenta e não muito sólida. Nesse momento começou uma chuva torrencial e eu não podia desescalar, e rapelar naquele camalot estava fora de questão. Decidi subir os 15m restantes em artificial usando cliff´s de agarra e de buraco alcançando o cume e descendo pela Zênite como  planejara. A via estava tecnicamente terminada, mas moralmente faltava escalar de verdade o trecho final. Mais um fim de semana e retornei na via, junto com o Jacaré, escalei esse trecho que acabou ganhando uma chapeleta ao lado do buraco e uma parada independente no cume. O resultado foi uma via de 5 Vsup E3 160m. Está localizada no setor “corpo” da Pedra do Elefante, a esquerda da via Zênite, em Andradas (MG).

arvore_seguranca_solitario_1enfiada

Árvore utilizada para dar segurança em solitário na conquista da 1a. enfiada

 

Para saber como chegar e onde ficar acesse www.abrigopantano.com. Com mais esta via o setor “corpo” da Pedra do Elefante conta com 6 vias de acesso ao cume além de outras esportivas menores e projetos, dando um volume de escalada de uns 1.000m. Bem interessante para um dia cheio. A experiência de conquistar em solitário foi o que me chamou mais a atenção, pelo estado de espírito que esse ato provocou, de tranqüilidade e concentração como não havia ainda experimentado.

 

Marco_terminando_conquista_via

Marco terminando a conquista da via

 
Novas Conquistas em Andradas Pedra do Boi Setor do "Vale"

Por: Tadeu Oliveira e Paulo Arantes

No começo do mês de junho eu me lembro de ter conversado com o Tadeu a respeito de abrir uma via nova em Andradas. E foi através de uma conversa pelo MSN com o Jacaré, do abrigo do Pantano, que tiramos as dúvidas sobre vias e projetos naquela face. Pelos registros memoriais do jacaré não tinha nenhuma via aberta no local.

Na sexta feira à noite, depois da faculdade era o momento da compra de mantimentos para o final de semana. Dormindo tarde para acordar por volta das 4 da manhã, tomar café rápido partir de Ribeirão Preto rumo Andradas por 3 horas de estrada à noite e frio. Já em Andradas com as mochilas prontas. Agora é só subir para a pedra e começar!

Depois de uma caminhada com a mochila bem pesada chegamos ao local e olhamos a canaleta que dava acesso a linha que pretendíamos. Sugeri que fossemos com as mochilas cargueiras, porque o acesso me parecia bem tranquilo. Aí começou de verdade a escalada e a roubada que nos metemos. Começamos a subir e não deve ter dado 20m quando as coisas ficaram realmente difíceis.

Não conseguíamos subir nem descer com as mochilas cargueiras de tão pesadas. Abandonamos uma delas entalada na canaleta e fomos passando à outra de mão em mão ate o final. Foi quando notamos que a bendita linha era bem suja e iria consumir muita energia e proteções fixas logo no começo. Não era nada disso que pretendíamos. Descemos até uma árvore sólida e começamos o rapel para a base novamente.Comemos e resolvemos partir para o plano B.

Cheech & Chong" 5 E2 60 m
Junho 2009

tadeu_na_conquista_da_via_cheech_chong_foto_paulo_arantesEsta parede limpa engana muita gente que a vê de longe. Setor com um visual da Pedra do Boi alucinante. O grande problema desta via nos dias de hoje é um casal de urubu-rei que mora no local. Provavelmente estão com uma cria, pois fomos atacados na ultima vez que estivemos por lá. Portanto este setor esta fora do cardápio de vias para escalada.

Mas a historia dela é a seguinte...

Alcançamos a base desta via no começo da tarde. O sol tava bem forte e a rocha quente. Depois de uma disputa acirrada no palito, fui destinado a começar a conquista.

O começo da via é uma aderência com micro agarras delicado. Mas é na sua segunda metade que a pedra fica vertical e com agarras bem solidas, dando ao escalador uma grata retribuição pelo seu esforço de aproximação do setor.

Esta via foi conquistado por baixo, com furadeira nas costas e em duas horas. Escalada bem protegida sendo necessário duas cordas de 60 m (rapel), #.5 (opcional),e 10 costuras longas para sua repetição.

Confira o restante da historia no blog: http://www.nugranito.blogspot.com/

Croqui e história das vias: 

Veja algumas fotos: